segunda-feira, 2 de março de 2015

Acerca das coisas que não chegam à consciência como razão.

Ultimamente nessa vida eu tenho flutuado. Do passado ao futuro, às vezes sem nem passar pelo presente, que tão rápido se torna passado e nunca futuro. Tenho flutuado das manhãs às noites, e logo de novo volto às manhãs. Flutuo inerte, indiferente, insconsciente, sem querer. Flutuo do cansaço ao descanso, volto ao cansaço e fico emperrada ali como um galho que estava flutuando e foi parado por uma pedra. Depois me solto e volto a flutuar. Flutuar entre a dúvida e a certeza, pra então voltar à dúvida e também travar ali. Então flutuo mais um pouco e fico pensando se era naquele rio que eu devia flutuar... Será que eu não devia pensar maior e ir para o mar? Ou me dar ao luxo de um aquário tranquilo e monótono? Acho que nasci folha, que só flutua depois que cai de onde veio. Então eu caí, e o rio tem me levado e eu não sei onde é que vou parar - sei que é mar, mas quando é mar? quando é só agitação de uma corredeira e quando é que é mar?
Na verdade não quero mar, não quero rio, não quero lago... Só quero árvore.
Não nasci pra flutuar.

                                                                           Mas talvez tenha morrido pra flutuar. 

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Pressa.

Pressa.

A vida, mesmo lenta, preguiçosa, está sendo obrigada a andar depressa. Depressa, depressiva, de pressa. Está sendo obrigada a andar arrastada por um trem andando a mil por hora, para que este não passe por cima dela. 

e se ela se negasse e não fosse? o que seria da vida?

Andaria lenta, andarilha, feliz da vida, repararia nos ladrinhos (de brilhantes?) em que pisaria a cada passo, contado, calculado. 
Andaria
             de
                  sapatilha, 
                                 toda bailarina.

Andaria, serelepe, dançaria, olharia pra cima e riria com o céu. Com o sol. Com o calor. Com as flores embaraçando nos seus pés e entrando na dança da vida, divina, de virar do avesso a pressa. 
Ah, se dançássemos conforme a música!

O brisa bate leve, e não espanca por causa da pressa. Ela roça o rosto, os cabelos... De-va-gar-zi-nho. E traz refresco, traz arrepio, traz adrenalina que corre de-li-ci-o-sa no sangue. 
O Sol também irradia devagar.
O fogo queima devagar, de vagar.
A água molha lentamente, lentificando a mente que para pra olhar. 

Por que é que não dançamos conforme a canção de ninar?

Sem pressa, vai! já perdemos o trem.

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Enjoy it!

Carpe diem. 
A carpa nada durante o dia, aproveitando-o.
Nada também de noite, porque nada pode impedi-la.

O dia passa. Passa por um lado do mundo, outrora do outro. 
Ele passa e aproveita cada um dos mundos. 

O tempo passa.
Pelo dia, pela noite, pelo mundo, pela carpa, pelo rio. 
Passa pelos sonhos.
Com os sonhos, o tempo os congela ou os empurra com a correnteza.
Por vezes, o tempo - alterado, maníaco - leva os sonhos também contra a correnteza.
Não como as carpas.
E sim como os salmões. 

Aos maníacos: CARPE DIEM!

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Soneto do Amor Total

Soneto do Amor Total
Amo-te tanto, meu amor… não cante
O humano coração com mais verdade…
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade
Amo-te afim, de um calmo amor prestante,
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.
Amo-te como um bicho, simplesmente,
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.
E de te amar assim muito e amiúde,
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.

(Vinicius de Moraes)

terça-feira, 1 de julho de 2014

Alvorecer.

Eu defino o tempo que eu estou vivendo com essa palavra: alvorecer. Saindo da escuridão de uma mente técnica, conceitual, limitada e monocromática para, gradualmente, descobrir a luz da imensidão do céu. Aliás, "definir" não é o verbo certo: eu descrevo assim o que vejo. Assim como descrevo cores que vejo pela primeira vez, posso fazer apenas correlações com aquilo que já conheço e nada fica exato. 
Exato. Nada é muito -ou pouco- exato também. Afinal, 0.999999999 é 1. E que venham os matemáticos me explicarem o motivo (sério, me ensinem)!
Exatidão é limitação. A vida é integrada, o mundo é maior do que parece, o mundo é menor do que parece. As teorias existenciais fazem mais sentido, até! 
Tudo, então, é descoberta pra mim. 
As conexões de pensamento estão centradas em outros assuntos, outras divagações, de forma que nada que tente unir o que se passa na minha mente consegue ser feito de maneira adequada. Adequado seria a palavra certa, afinal? 
Bem. 
As pessoas nos surpreendem. Eu me surpreendo. Que beleza há nas surpresas diárias! Que sustos há nas surpresas diárias! 
A mente aos poucos vai se expandindo, se dilatando como o corpo da mulher que dá a luz, para expelir as ideias, concebê-las, para que possam crescer e se desenvolver aqui fora. 
A vida sempre foi muito bonita, pra mim.
E agora já é muito mais. (!)


sexta-feira, 21 de março de 2014

Deleite.

Há quase três anos eu consigo escrever sobre o amor de uma maneira mais real. E todos os dias aprendo algo novo do Amor. Hoje aprendi algo que sempre senti e nunca consegui definir: o prazer. Não o prazer sexual, não é isso. Digo o prazer de ser de alguém, de estar com alguém, o deleite proporcionado por alguém. Eu me deleito na presença dEle. Sinto paz e alegria ao simples prazer de estar. Estar aqui como verbo intransitivo, o qual não precisa de complemento. Afinal, só estar já é estar nEle, porque nEle estão todas as coisas. 
Quero me deleitar em Ti, Senhor, todos os dias em que eu respirar.

 E depois também. 

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Carta n° 02 para Teddy.

Querido Teddy. 

Hoje, mais uma vez, desejei ter passado o dia com você. Fico imaginando como seria se fôssemos só nós dois, sem tempo nem espaço. Vai ver nem existiria o "ser nós dois", nem eu, nem você, nem ser. Mas não é aí que quero chegar. É que passou mais um dia, e amanhã é outro, e ainda sinto sua falta. Não parece ter sido tanto tempo que você foi embora, já que seu cheiro ainda está nas minhas coisas e ainda posso sentir suas mãos no meu cabelo, mas há bastante tempo sim. Bastante tempo que eu desejo, quero, almejo, anseio, use qual palavra quiser; há bastante tempo gostaria de ouvir sua respiração no meio da noite, quando o silêncio esmagador não me deixa dormir. 
Você já teve a sensação de felicidade tão plena a ponto de parecer a iminência de alguma coisa ruim? Quando a percussão da música te assusta, porque seu cérebro te faz pensar que o som da bateria é de algo ruim acontecendo fora dos fones de ouvido? Pois essa sensação me alcança frenquentemente. 
O tempo é algo precioso, mas sinto que mesmo que passassem milhares de anos, não seria tempo suficiente pra desfrutar de tudo o que somos juntos. 
Somos, mas você não está aqui agora... Então minha solidão ecoa na sua ausência. 

Espero que volte logo. 
Eu te amarei para sempre. 


O abraço mais apertado do mundo, 
Rosie. 

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