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Eita.

Já viram que medo dá quando tudo parece bem?

O motivo é porque nem sempre as coisas estão realmente bem. Sabemos que, eventualmente, debaixo da máscara bonita de alegria, há desespero. Há angústia. Ou há nada - indiferença. 
Se há medo, não há liberdade. Se há desespero, não há plenitude. Se não há alegria, não há alegria. E tudo pode terminar que não fará falta alguma. 

E o medo que dá se não der falta?

E se der falta?

Eita.

Prato de feijão.

Há alguns anos atrás, no aniversário de 100 anos da minha bisavó, perguntamos:
- Dinha, como é fazer 100 anos de idade?
E ela respondeu com a sabedoria centenária que a coroara:
- Como comer um prato de feijão. Sempre bom.

Sempre bom.

Sobre medos.

Estão todos me olhando. 
Sinto a iminência - sutil, sorrateira, sintomática - de distúrbios nervosos. Talvez seja um delírio no qual eu estou tendo um delírio, talvez seja a realidade na qual estou tendo delírios reais bem percebidos por mim. O doente que conhece bem da sua doença não se cura por apenas se conhecer, afinal de contas. 
Esquizofrenia é aquele transtorno de múltiplas manifestações, dentre as quais pode haver delírios persecutórios, delírios nas quais outras pessoas estão apaixonadas por você, estão rindo de você, falando de você e te ridicularizando.  O medo vem daquele questionamento clichê: e se...?
E se tudo for apenas coisa da minha cabeça?  E tudo estiver errado? 
E
se tudo
na 
verdade
for 
d e s c o n e x o
                                                                   lá                   dentro                                                                                                      de mim ?

Fim de tratamento é assim mesmo.

Tem dia que a vida parece que perde a cor. Perde a vida, o sentido, o rumo, a razão de ser. Nada é tão relevante, nem importante, e nada é aproveitado como deveria.
A baixa de serotonina no meu cérebro me faz ter crises existenciais. O peso do mundo recai sobre a lombar, as toneladas de preocupação e ansiedade rebaixam a cabeça. A poesia some e fica tudo bem sombrio, vazio, triste. Cinza. E olha que eu até gosto de cinza. Sinto como se vivesse em um hiato de não-existência, em estado de coma, sobrevivendo. Pensando em sobreviver e sobre viver. Mas o dilema recai se há razão para todas essas coisas. Sou uma pessoa profunda fingindo ser rasa e conhecendo apenas a superficialidade das outras pessoas. E de mim. Quem sou eu, afinal de contas? Quem são os outros? Ultrapassar a fina camada superficial é o ponto mais difícil de conhecer outras pessoas. Como jogar na sorte. Por isso, me lembro daquelas pessoas que um dia já conheci - ou pensei conhecer. Sinto falta da familiaridade, da intimidade,…

Dois rapazinhos.

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- Nunca fui de conversar muito, sabe? Calado, quieto, tímido, e todas as características de alguém realmente não muito sociável. Gosto de apreciar as pessoas de longe, para que estas não se estraguem na minha mente.
Aí chegou essa garota. Não parava de falar, e falava com a propriedade de quem pode sair pegando meu sotaque e me ordenando coisas e agindo como um grande amigo mais velho, que sabe mais das coisas do mundo. Ela é pouco mais velha do que eu, e tem um brilho nos olhos e um sorriso no coração que é difícil não querer vê-la de perto. Olhá-la. Ver de onde vem esse brilho lá de dentro, de onde brota esse sorriso lá no mediastino. Tocá-la. Ver se dissolve-se ao toque, se resiste ao calor, ao ácido do suor das minhas mãos que aparecem quando a vejo em meu campo de visão. Conversar com ela, ouvir sua voz, independente se falo algo com sentido ou não. É consentido? É perceptível? Me levanto, quero ser visto também. Falo, porque também quero ser ouvido por ela, será que ela percebeu …

Das músicas da minha vida.

Uma reflexão: todas os rapazes que amei tinham alguma relação com a música. Não é algo curioso?Vamos ao primeiro: eu tinha cerca de 8 anos, e ele também. Na adolescencia, seu sonho era ser guitarrista de uma banda; eu me contentava em amá-lo já como um grande amigo, à essa altura. E comecei a namorar outro rapazinho: um roqueiro de cabelo comprido, que amava AC/DC e que me amou durante alguns dias, apenas. Amei um pouco mais, mas logo passou, quando me apaixonei por um rapazinho de cabelos encaracolados que curtia a mesma banda adolescente que eu: NeverShoutNever. Namoramos por cerca de 9 meses, um ano, quem sabe? Cada briga era uma música, cada data, cada tristeza e cada alegriazinha. E acabou. E teve aquele, que também curtia essa mesma banda, por quem me apaixonei sem nunca ter visto, lá de outra cidade. E há boatos de que ele fez uma música pra mim, mas talvez eu nunca tenha certeza. (Tem um nome sugestivo, e coincide com a data, eu acho; mas sou muito lerda para coletar indiretas…

No ar

A vida anda correndo rápido, não tenho tido preparo físico suficiente para alcançá-la.
As notícias recentes que descubro já têm dois anos
As músicas boas e novas já tem cinco
Onde eu estive esse tempo todo?