sábado, 1 de agosto de 2015

Certezas e confiança.

Talvez eu nunca tenha imaginado ou sequer parado para pensar a respeito de como seria meu futuro, quando eu era uma criança. Imaginar profissões era algo forçado pelo senso comum e eu o fazia para cumprir o protocolo; não significava nada a mais para mim gostar de cuidar dos mais desfavorecidos, ter um bom senso de justiça, gostar de matemática. Nunca foi algo que me levasse a pensar em uma profissão. Hoje, sei o que quero fazer, mas há dias em que não sei. É assim com outras coisas da minha vida também.
Bem como pensar a respeito da futura ocupação, nunca parei para pensar racionalmente e planejar calculadamente a minha vida amorosa. Aliás, talvez tenha planejado sim, parcialmente. Aos 10 anos, desiludida totalmente a respeito de casamentos e de homens, baseado em experiencias familiares, decidi que não me casaria e viveria em uma casa com muitos gatos, os quais foram meus sorrateiros companheiros de infância. Sonhava com o amor verdadeiro consciente de que era um protocolo a se cumprir na adolescência, e não tinha muita fé de que ele realmente existisse. Hoje, sei sobre sua existência e quero o amor verdadeiro para mim, mas há dias em que não sei. 
Pois bem, há cerca de quatro anos atrás, já consciente do verdadeiro amor que Jesus tem por mim, e tentando com todas as forças me apegar a esse Amor e confiar nEle a minha vida, me peguei pensando a respeito do futuro. Não planejava a cor da minha casa, nem o nome do meu gato e nem ao menos o nome dos filhos, se houvesse. Mas, devido a cicatrizes, sabia bem do que eu gostaria ou não em um homem. Era um desejo considerado utópico, mas eu não parava para pensar no realismo das minhas vontades. Eram vontades e pronto. Nessas vontades, junto ao medo que vivenciei por ver o sofrimento alheio na espera do verdadeiro amor, ajoelhei e pedi ao Senhor para que guardasse o homem com quem eu passaria a minha vida. Orei para que esse homem viesse na hora mais certa, conforme a vontade de Deus, mas que ele estivesse reservado para mim em algum lugar, cuidado como se já fosse meu. Eu orei confiante nesse dia, diferente de outros dias em que julguei estar orando a respeito disso. Antes, havia feito alguma menção a isso, mas nada oficial. Agora sim, fiz o pedido para Jesus, e na hora certa a minha encomenda chega, pensei. E fui dormir, sem pensar muito a respeito disso depois. 

Nesse dia, posso ver mais uma faísca de confiança começando a brilhar no meu relacionamento com Jesus.

No dia seguinte, fui a igreja e ouvi uma palavra que foi direta para mim. Deus me amava porque era meu pai. Meu pai, e Ele me amava, apesar de tudo e todos. Me amava. Foi um dia emocionante para mim; eu estava sozinha, e Deus tocou meu coração aquele dia, e eu chorei de alegria. Ao final do culto, meus olhos estavam cheios de uma alegria confiante sobre o amor, e foi naquele momento em que eu vislumbrei um sorriso estupidamente alegre, no canto oposto ao que eu estava. Não havia olhos, havia apenas um sorriso e muitas palmas vindo de um rapaz que estava particularmente radiante naquele dia, de forma que eu agradeci a Deus por ter visto algo que me fez tão bem. Era uma felicidade contagiante, e eu estava cheia dela também. 
Depois disso, conheci o dono do sorriso, bem como a voz que saía dele, cheia de opiniões. Estava satisfeita. Tive interesse, não nego, mas tive cautela, pois não estava disposta a me envolver com alguém se não fosse a hora ou a pessoa certa. Eu estava esperando no Senhor. Talvez seja exatamente por isso que Ele tenha deixado alguns sinais sutis que era significativos para mim, como a enorme coincidência de dois relógios dessincronizados, em horários diferentes, mostrarem o horário 21h21, que, conforme as crenças adolescentes populares, significava "perto está o seu amor". Todas essas coincidências me fizeram elaborar a hipótese de que AQUELE HOMEM era o homem com quem eu iria me casar. Com menos de 15 minutos de palavras trocadas, ousei pronunciar em voz alta de que eu havia conhecido o homem com quem eu iria me casar. 

Hoje, dia 01/08/15, sinto um frio na barriga ao escrever esses fatos e pensar no futuro. Em sete dias, esperarei AQUELE HOMEM no altar, para que este venha e me tome como sua esposa. Em sete dias, vou realmente me casar com aquele homem do belo sorriso anônimo do dia em que Deus tocou meu coração e mostrou que eu era amada. Durante mais de quatro anos, meu Pai tem me demonstrado o seu amor espantosamente enorme através daquele homem, todos os dias. Há dias em que me pego pensando se isso tudo é real. Há dias em que me sinto até mesmo fatigada de tanta realidade utópica. O homem que pedi para o meu Jesus, naquela noite, chegou no dia seguinte à minha oração e só vai partir junto comigo para encontrar-se pessoalmente com Ele, que nos uniu. Não é algo bizarro? Não é bizarro que este homem seja exageradamente romântico, lindo, charmoso, cuidadoso, inteligente e tão temente ao Senhor? Eu imaginei esse rapaz, e Deus o fez e o personalizou além do que eu esperava também. Acrescentou detalhes dos quais eu gostaria e nem sabia. Quais detalhes? Pois bem: você já viu o tamanho daquele rapaz? É um armário de homem. Me sinto como um pequeno filhote nos seus braços, protegida de qualquer espécie de monstro gigante e também de qualquer tipo de solidão. E aqueles olhos? São os olhos mais doces que eu já vi... Quero que minhas crianças tenham aqueles olhos olhando para elas a vida toda. Quero aqueles olhos olhando para mim a vida toda. Quero olhar aqueles olhos a vida toda. E aquelas pintinhas nas bochechas, quase simetricamente posicionadas? É impossível não beijá-las ou encará-las, às vezes. Bem, são muitos detalhes. 
Não acreditava em um amor duradouro, muito menos em um desejo duradouro. Hoje acredito porque posso viver, posso sentir, e eu confio naquilo que sinto, de forma que eu sei que é real. Hoje, apesar de muitos pequenos atritos que tem acontecido devido à ansiedade das coisas da vida e da preocupação com tantos protocolos, eu me sinto apaixonada. Apaixonada por AQUELE HOMEM que existe para mim há pouco mais de quatro anos, mas que eu sei ter sido planejado para mim desde quando as montanhas ainda eram poeira pairando sobre o nada. 
Me sinto apaixonada hoje pelo Fabiano, um homem doce, carismático, estupidamente simpático e cortês, generoso, humilde, amável, carinhoso, esperto, respeitoso, bonito e, por causa disso e muito mais, um homem extremamente admirável pelos seus modos, suas virtudes, seu comportamento e também pelo seu sorriso sincero e constante. Sinto muito e peço perdão a Jesus por tantas vezes me esquecer dessas coisas e ver apenas o que é um pouco torto. Peço perdão a Jesus por tantas vezes me esquecer de que eu posso ser torta junto com ele, e que iremos nos encaixar melhor quando eu admitir que também sou torta. Peço perdão pelas vezes em que eu me julguei reta, esticadinha, para tentar fazer com que o Fabiano se endireitasse e se arretasse. Agradeço, portanto, por ter aprendido com Jesus que quem é o artesão é só Ele, e de que nada podemos fazer senão olhar para nós mesmos e nos enxergar como realmente somos, admitirmos nossa imperfeição e pedirmos ao Artesão para nos consertar. 
Diante de todas essas coisas, hoje faço mais um pedido a você, Jesus, e espero com confiança que este seja realizado como o outro foi. Quero te pedir, Artesão, que o Senhor me despedace completamente e me faça melhor, com olhos que enxerguem melhor as minhas imperfeições, de forma que eu possa compreender e saber lidar, com constância, paciência e amor, principalmente, com as imperfeições de outras pessoas, especialmente ao do meu marido. Quero ser uma esposa que apoia, que sustenta, que consola, incentiva, alegra, faz rir, traz descanso, traz a Paz do Senhor, que edifica a casa, que espera no Senhor todas as coisas. Sinto que o desafio começa agora, Jesus, e conto com a Sua ajuda para andar esse caminho. É um caminho com ar de amor, mas por vezes há pedras no chão, e eu não quero parar de caminhar ou me ferir mortalmente com esses empecilhos. Me dê fé para enxergar o Senhor no meio das pedras, Papai. Me dê amor e paciência em excesso, Papai, para que eu possa ser uma luz em meio à tempestade, como um farol em águas turbulentas, ou como um oásis em meio ao deserto. Quero te representar, Jesus, e servir ao meu esposo como o Senhor disse que devemos fazer; porém, quero fazer tudo por amor, não por obrigação. Eu escolho o caminho do amor, Jesus. Eu escolho o caminho da cruz, da renúncia. Mas te peço encarecidamente a sua assistência nessa jornada, porque a largada já não tem sido muito fácil, hahaha. Pensando bem, estamos andando nas nuvens. Obrigada por isso, Senhor. 
Nunca me deixe esquecer quem é o Artesão. Me lixe o quanto for necessário, Senhor, mas retire de mim todo o orgulho, toda soberba, toda pretensão que seja como espinhos ou rebarbas que podem ferir quem me tocar. Quero ser macia, Papai, como o Senhor é. 
Quero fazer o Fabiano feliz, Senhor, quero admirá-lo, quero lutar pela vida dEle. Me ensine a amá-lo todos os dias um pouco mais, meu Jesus, que é o Amor puro. Eu retiro todas as minhas barreiras, Senhor, e te peço que me ajude a não entristecer a Você, nem ao Fabiano. Me traga sabedoria, Papai, discernimento e paciência. Me traga resiliência, Senhor, e retire de mim a autopiedade e a falsa humildade. Peço o mesmo pelo Fabiano, Jesus, porque sei que muitas das vezes ele não ora por si mesmo. Quero aprender com Você e com ele a orar pelo próximo. Quero ser um rastro de luz do Senhor nesse mundo, junto do Fabiano, sempre. 
Obrigada por proporcionar a mim a experiência enorme de viver um amor como esse, Jesus. Você me surpreende tanto! Quero viver do Seu lado e te fazer feliz também, Jesus. Peço a sua benção e já agradeço porque ela está sobre nós. Eu amo você, Senhor, e te agradeço por me permitir sentir e fazer isso. Obrigada por tudo. Você é o melhor pai da existência. <3 nbsp="" span="">

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Sobre o vazio.

Ausência é vazio.

Algo foi deixado às pressas, a cama ainda estava desarrumada, o pão meio comido sobre a mesa, quando saiu na correria de praxe em busca de algo para fazer que garantisse o pão do próximo dia. Ou vai ver, nem havia pressa, havia só desgosto de pão. Decidiu-se que hoje não comeria o pão todo, o que abriria espaço no estômago para comer algo mais tarde, antes do almoço. Ou ainda (quem sabe!), recebeu uma ligação daquela guria jeitosa que sempre o encarava bem encarado todos os dias na porta da faculdade, dizendo para encontrá-la em tal lugar, agora, e ele foi. 
Talvez fosse também entregador de más notícias. Ou, sendo otimista, entregador de boas notícias. Vai ver estava indo pro trabalho, onde vendia pipoca para as crianças a troco de desenhos caricaturais. Ou vai ver era atendente daquela lanchonete onde os salgados dividem espaços com os mosquitos dentro daquela mini estufa. 
Independente disso, o que sobrou hoje foi um corpo jazendo sobre uma maca na sala de cirurgia. Um corpo pendurado por um fio, como as roupas num varal num dia que vem tempestade, precedida de ventania. O vento vai foooooorte, e você sabe que aquela roupa vai cair na lama, mas não sabe até quando ela vai suportar. 
O menino nunca chegou onde devia chegar, no fim das contas. Talvez não vá atrás da garota, que estava se fazendo de difícil o tempo todo, mas que gostava do jeito que ele sorria envergonhado - ou não - quando ela o encarava. Talvez as crianças da minha mente fiquem cheias de desenho e sem pipoca. Talvez não haja mais ninguém naquela maldita lanchonete pra tirar os mosquitos de lá e dar bom dia pro freguês de todos os dias. 
Acontece que aquele menino estava andando, e agora não está mais. Acontece que aquele menino respirava, e agora não o faz mais sozinho. Acontece que aquele garoto tinha todos os seus ossos inteiros, completos, e tinha cerca de 6 litros de sangue no corpo. Hoje não tem mais. Hoje tem mais fragmentos do que coisas completas dentro de si: fragmentos de ossos, fragmentos de sonhos, fragmentos de memória que vão e voltam conforme a sedação anda na sua curva de variação, fragmentos de destino que talvez sejam a sua vida toda. Acontece que naquele dia de manhã, havia um menino semente, e hoje tem um menino que foi arrancado da terra e está posto num vaso com água pra ver se sobrevive. Acontece que hoje o coração dele ainda bate, mas talvez amanhã não seja mais assim.

acontece que eu não sei lidar com isso muito bem. 

acontece que vou acabar procurando por ele a vida inteira. 

acontece que eu não sei se consigo ver alguém partir assim, tão incompleto. 

Aliás: será que incompleto?

Meus pensamentos incompletos completam minha angústia. 

segunda-feira, 2 de março de 2015

Acerca das coisas que não chegam à consciência como razão.

Ultimamente nessa vida eu tenho flutuado. Do passado ao futuro, às vezes sem nem passar pelo presente, que tão rápido se torna passado e nunca futuro. Tenho flutuado das manhãs às noites, e logo de novo volto às manhãs. Flutuo inerte, indiferente, insconsciente, sem querer. Flutuo do cansaço ao descanso, volto ao cansaço e fico emperrada ali como um galho que estava flutuando e foi parado por uma pedra. Depois me solto e volto a flutuar. Flutuar entre a dúvida e a certeza, pra então voltar à dúvida e também travar ali. Então flutuo mais um pouco e fico pensando se era naquele rio que eu devia flutuar... Será que eu não devia pensar maior e ir para o mar? Ou me dar ao luxo de um aquário tranquilo e monótono? Acho que nasci folha, que só flutua depois que cai de onde veio. Então eu caí, e o rio tem me levado e eu não sei onde é que vou parar - sei que é mar, mas quando é mar? quando é só agitação de uma corredeira e quando é que é mar?
Na verdade não quero mar, não quero rio, não quero lago... Só quero árvore.
Não nasci pra flutuar.

                                                                           Mas talvez tenha morrido pra flutuar. 

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Pressa.

Pressa.

A vida, mesmo lenta, preguiçosa, está sendo obrigada a andar depressa. Depressa, depressiva, de pressa. Está sendo obrigada a andar arrastada por um trem andando a mil por hora, para que este não passe por cima dela. 

e se ela se negasse e não fosse? o que seria da vida?

Andaria lenta, andarilha, feliz da vida, repararia nos ladrinhos (de brilhantes?) em que pisaria a cada passo, contado, calculado. 
Andaria
             de
                  sapatilha, 
                                 toda bailarina.

Andaria, serelepe, dançaria, olharia pra cima e riria com o céu. Com o sol. Com o calor. Com as flores embaraçando nos seus pés e entrando na dança da vida, divina, de virar do avesso a pressa. 
Ah, se dançássemos conforme a música!

O brisa bate leve, e não espanca por causa da pressa. Ela roça o rosto, os cabelos... De-va-gar-zi-nho. E traz refresco, traz arrepio, traz adrenalina que corre de-li-ci-o-sa no sangue. 
O Sol também irradia devagar.
O fogo queima devagar, de vagar.
A água molha lentamente, lentificando a mente que para pra olhar. 

Por que é que não dançamos conforme a canção de ninar?

Sem pressa, vai! já perdemos o trem.

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Enjoy it!

Carpe diem. 
A carpa nada durante o dia, aproveitando-o.
Nada também de noite, porque nada pode impedi-la.

O dia passa. Passa por um lado do mundo, outrora do outro. 
Ele passa e aproveita cada um dos mundos. 

O tempo passa.
Pelo dia, pela noite, pelo mundo, pela carpa, pelo rio. 
Passa pelos sonhos.
Com os sonhos, o tempo os congela ou os empurra com a correnteza.
Por vezes, o tempo - alterado, maníaco - leva os sonhos também contra a correnteza.
Não como as carpas.
E sim como os salmões. 

Aos maníacos: CARPE DIEM!

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Soneto do Amor Total

Soneto do Amor Total
Amo-te tanto, meu amor… não cante
O humano coração com mais verdade…
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade
Amo-te afim, de um calmo amor prestante,
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.
Amo-te como um bicho, simplesmente,
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.
E de te amar assim muito e amiúde,
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.

(Vinicius de Moraes)

terça-feira, 1 de julho de 2014

Alvorecer.

Eu defino o tempo que eu estou vivendo com essa palavra: alvorecer. Saindo da escuridão de uma mente técnica, conceitual, limitada e monocromática para, gradualmente, descobrir a luz da imensidão do céu. Aliás, "definir" não é o verbo certo: eu descrevo assim o que vejo. Assim como descrevo cores que vejo pela primeira vez, posso fazer apenas correlações com aquilo que já conheço e nada fica exato. 
Exato. Nada é muito -ou pouco- exato também. Afinal, 0.999999999 é 1. E que venham os matemáticos me explicarem o motivo (sério, me ensinem)!
Exatidão é limitação. A vida é integrada, o mundo é maior do que parece, o mundo é menor do que parece. As teorias existenciais fazem mais sentido, até! 
Tudo, então, é descoberta pra mim. 
As conexões de pensamento estão centradas em outros assuntos, outras divagações, de forma que nada que tente unir o que se passa na minha mente consegue ser feito de maneira adequada. Adequado seria a palavra certa, afinal? 
Bem. 
As pessoas nos surpreendem. Eu me surpreendo. Que beleza há nas surpresas diárias! Que sustos há nas surpresas diárias! 
A mente aos poucos vai se expandindo, se dilatando como o corpo da mulher que dá a luz, para expelir as ideias, concebê-las, para que possam crescer e se desenvolver aqui fora. 
A vida sempre foi muito bonita, pra mim.
E agora já é muito mais. (!)


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