sexta-feira, 21 de março de 2014

Deleite.

Há quase três anos eu consigo escrever sobre o amor de uma maneira mais real. E todos os dias aprendo algo novo do Amor. Hoje aprendi algo que sempre senti e nunca consegui definir: o prazer. Não o prazer sexual, não é isso. Digo o prazer de ser de alguém, de estar com alguém, o deleite proporcionado por alguém. Eu me deleito na presença dEle. Sinto paz e alegria ao simples prazer de estar. Estar aqui como verbo intransitivo, o qual não precisa de complemento. Afinal, só estar já é estar nEle, porque nEle estão todas as coisas. 
Quero me deleitar em Ti, Senhor, todos os dias em que eu respirar.

 E depois também. 

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Carta n° 02 para Teddy.

Querido Teddy. 

Hoje, mais uma vez, desejei ter passado o dia com você. Fico imaginando como seria se fôssemos só nós dois, sem tempo nem espaço. Vai ver nem existiria o "ser nós dois", nem eu, nem você, nem ser. Mas não é aí que quero chegar. É que passou mais um dia, e amanhã é outro, e ainda sinto sua falta. Não parece ter sido tanto tempo que você foi embora, já que seu cheiro ainda está nas minhas coisas e ainda posso sentir suas mãos no meu cabelo, mas há bastante tempo sim. Bastante tempo que eu desejo, quero, almejo, anseio, use qual palavra quiser; há bastante tempo gostaria de ouvir sua respiração no meio da noite, quando o silêncio esmagador não me deixa dormir. 
Você já teve a sensação de felicidade tão plena a ponto de parecer a iminência de alguma coisa ruim? Quando a percussão da música te assusta, porque seu cérebro te faz pensar que o som da bateria é de algo ruim acontecendo fora dos fones de ouvido? Pois essa sensação me alcança frenquentemente. 
O tempo é algo precioso, mas sinto que mesmo que passassem milhares de anos, não seria tempo suficiente pra desfrutar de tudo o que somos juntos. 
Somos, mas você não está aqui agora... Então minha solidão ecoa na sua ausência. 

Espero que volte logo. 
Eu te amarei para sempre. 


O abraço mais apertado do mundo, 
Rosie. 

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Quebra-cabeça da ausência.

Sinto tantas saudades tuas. Não que tenha muito tempo que eu esteja com sua ausência, claro, mas ela também parece estar crescendo como bambu. Ouvi dizer que bambus crescem rápido e ficam enormes. Bem, sinto saudades do teu riso, da sua ousadia em me irritar com coisas tão sérias pra mim e tão banais pra nós; sinto falta do teu rosto roçando o meu, como se desenhasse com seu nariz nas minhas bochechas alguma obra de arte impressionista. Impressionista, não surrealista, nem tão realista, nem cubista ou dadaísta. Impressionista, porque me impressiona como o desenho me traz boas sensações e boas lembranças, ainda que invisível. Bem, sinto saudades de quando me olha de canto, e quando reage ofendido se te olho do mesmo jeito, rindo e dizendo "não me olhe de banda"! Saudades de como me conta as coisas engrandecendo-as, dramatizando-as e tratando delas como gostaria de ter tratado; igualmente aprecio teu rosto corado dizendo que gostaria que tivesse sido segundo o relato. Sinto falta do teu abraço apertado, da tua mão na minha enquanto andamos de moto em ruas retas e vazias. Sinto saudades do teu olhar surpreso e lábios pendentes em reação a certas palavras minhas. Ah, como sinto falta das tuas palavras, mesmo as silenciosas! Sinto falta de só estar contigo, me esquecer em você, abafar meus pensamentos que me incomodam quando você se vai. Penso em nós dois como peças de um quebra cabeça: nossas irregularidades são complementares - e assim é bem melhor. 

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

[sem título]

Se tudo o que eu pudesse fazer fosse dizer, falar, gritar, eu talvez nunca falasse de você. Não sendo falta de apreço, mas falta de vocabulário. As palavras, sejam poucas ou muitas, me limitam mais do que ampliam minha ideia. É tudo muito além do que dá pra descrever, e não importa quanto tempo passe, essa afirmação sempre soará clichê. Não é possível mensurar em palavras, em simples e complexas palavras, a sensação de cada toque, de cada cheiro, de cada olhar, de cada batida sem ritmo de nossos corações ansiosos. Ansiosos também não é a palavra certa: a aflição de esperar o tempo que passa e se arrasta é grande demais pra caber em oito letras quando juntam nós dois. Dois. Dois também não é a palavra mais adequada: somos três, por enquanto, ou cinco, se pensar melhor. Eu, você, Ele, Ele, Ele. Ou só eu, você e Ele. Acontece que não importa muito. Aliás, nada importa muito, porque o que se importa não é possível guardar em pobres palavras como a que temos. A agonia de esperar pra que nos tornemos um só... Não cabe em lugar nenhum. Não há palavra, suspiro, gesto ou pensamento que capte com nitidez o que se sente. Nas palavras do leigo, é vício. Nas palavras de quem já se cansa de tentar contar, é amor. Amor. A-M-O-R. Mas tudo isso não passa de meros ensaios de algo muito maior. Tudo é muito maior. Ou nós quem somos pequenos demais. 

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

menina-mulher ou mulher-menina.

Nas simbologias das escritoras femininas, bolsas de adultos em crianças representam a vontade de crescer. Mania boba essa de criança de querer ser grande logo. De menina pra mulher, eu quero mesmo é de mulher pra menina. Velha, mulher, menina. Assim, e não ao contrário. Se pudesse escolher, largava meus sapatos pretos, voltaria a usar minhas sandálias de borracha cor-de-rosa, meus lindos vestidos rodados, meus lacinhos no cabelo, minhas marias-chiquinhas. Largaria, sem pensar duas vezes, meu batom vermelho, minha liberdade e voltaria às limitações da infância. Ser mulher é pesado pro meu coração de criança. A realidade de ser mulher, nem menina nem moça, mas mulher, mulher feita, ah, é pesada demais pra minha mente limitada pelo desejo de Peter Pan. Não me sinto pronta pra crescer. Talvez seja criança demais e queira ser mais ainda pelo simples fato de ser mulher envolver querer ser menina, e de ser menina envolver querer ser mulher. A satisfação nunca nos alcança, se seguirmos esse raciocínio. Se vivesse do passado de menina, nada teria passado e eu ainda seria menina. Acontece é que quanto mais futuro chega e passa, virando passado, mais o passado mais passado se torna estúpido à minha mente crescida. Me torno insuportável para meu eu infantil de anos atrás, e insuportável para meu eu futuro de anos à frente. Lidando com isso, focando mais nos dois extremos do que na média do tempo, sendo essa média o hoje, o agora, o presente, me sinto insuportável hoje para mim mesma, para mim mulher-queredora-de-ser-menina. 
De tanto sufocar meu desejo infantil de ser mulher, me tornei mulher, e de tanto não querer ser mulher -do desejo de agora-, me tornei mulher. Não havia como adiar, eu acho. Acontece é que o não querer continua ali, o arrependimento de ter permitido a mulher florescer, se é que ela já não estava em mim o tempo todo disfarçada de menina. Mulher já feita pode usar máscaras, e talvez eu tenha usado por algum tempo a máscara de menina, na não-querência de ser mulher. Vai ver eu não virei mulher agora, de repente, vai ver venho virando há algum tempo. Seja o que for, não quero. Ou quero disfarçado de não-quero. Não sei mais. Mulher que vem da menina é incerto assim? Junto da mulher vem o medo da menina, porque, apesar de dizerem o contrário, muita coisa muda sim. Espero sobreviver e ter intacto meu coração infantil, meu coração menina, porque ele pode deixar espaço pro coração de mulher. Tenho medo de que o coração de mulher não deixe espaço pra mais nada. Mas vamos ver como vão se acomodar. 
Me desejem sorte. 

sábado, 19 de outubro de 2013

[...]

Olha, obrigada pelo seu amor, pelo seu cuidado, pelo seu zelo. Esses substantivos, sempre os uso pensando em você: parecem que fazem parte de quem você é. Você consegue satisfazer minhas vontades, meus desejos, meu anseio de ser corrigida, consolada, abraçada, meus medos você lança fora, e ainda me faz acreditar - de novo e de novo - naquilo que eu sinto vontade de jogar pro alto, me fazendo desistir de desistir. Você me faz sentir amada mesmo quando faço coisas hediondas. Me faz sentir vergonha por isso também, porque seu amor me constrange. Tudo o que faz por mim me faz sentir grata, imensa e eternamente grata por ter você. Eu poderia escrever milhares e milhares de palavras pra tentar descrever tudo o que há dentro de mim por sua causa, mas não pretendo fazê-lo. Só quero deixar escrito que eu me sinto MUITO feliz e satisfeita por ter você. Obrigada por me receber de volta, Jesus. Eu te amo. Muito. 

terça-feira, 1 de outubro de 2013

I wanna hold your hand.

Eu quero segurar a sua mão
E ver se cola. 
Pra nunca mais desgrudar, desmembrar, 
Pra nunca mais eu me perder.

Eu quero apertar a sua mão e sumir,
Me perder em você e não sem você.
Com a sua mão na minha eu consigo ir e ser, 
Voltar e ainda saber quem sou.

Com a sua mão na minha, eu não preciso procurar outras mãos.
Eu não preciso olhar outras mãos, 
Nem desejar outros anéis ou outros dedos,
Nem querer outro infinito que não seja o nosso.

Com a sua mão na minha, 
Posso escrever prosa em versos, 
Posso fingir que tudo é poesia,
Gritando por aí o amor que a minha mão tem pela sua.


Procure aqui !

Carregando...