sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Enjoy it!

Carpe diem. 
A carpa nada durante o dia, aproveitando-o.
Nada também de noite, porque nada pode impedi-la.

O dia passa. Passa por um lado do mundo, outrora do outro. 
Ele passa e aproveita cada um dos mundos. 

O tempo passa.
Pelo dia, pela noite, pelo mundo, pela carpa, pelo rio. 
Passa pelos sonhos.
Com os sonhos, o tempo os congela ou os empurra com a correnteza.
Por vezes, o tempo - alterado, maníaco - leva os sonhos também contra a correnteza.
Não como as carpas.
E sim como os salmões. 

Aos maníacos: CARPE DIEM!

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Soneto do Amor Total

Soneto do Amor Total
Amo-te tanto, meu amor… não cante
O humano coração com mais verdade…
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade
Amo-te afim, de um calmo amor prestante,
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.
Amo-te como um bicho, simplesmente,
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.
E de te amar assim muito e amiúde,
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.

(Vinicius de Moraes)

terça-feira, 1 de julho de 2014

Alvorecer.

Eu defino o tempo que eu estou vivendo com essa palavra: alvorecer. Saindo da escuridão de uma mente técnica, conceitual, limitada e monocromática para, gradualmente, descobrir a luz da imensidão do céu. Aliás, "definir" não é o verbo certo: eu descrevo assim o que vejo. Assim como descrevo cores que vejo pela primeira vez, posso fazer apenas correlações com aquilo que já conheço e nada fica exato. 
Exato. Nada é muito -ou pouco- exato também. Afinal, 0.999999999 é 1. E que venham os matemáticos me explicarem o motivo (sério, me ensinem)!
Exatidão é limitação. A vida é integrada, o mundo é maior do que parece, o mundo é menor do que parece. As teorias existenciais fazem mais sentido, até! 
Tudo, então, é descoberta pra mim. 
As conexões de pensamento estão centradas em outros assuntos, outras divagações, de forma que nada que tente unir o que se passa na minha mente consegue ser feito de maneira adequada. Adequado seria a palavra certa, afinal? 
Bem. 
As pessoas nos surpreendem. Eu me surpreendo. Que beleza há nas surpresas diárias! Que sustos há nas surpresas diárias! 
A mente aos poucos vai se expandindo, se dilatando como o corpo da mulher que dá a luz, para expelir as ideias, concebê-las, para que possam crescer e se desenvolver aqui fora. 
A vida sempre foi muito bonita, pra mim.
E agora já é muito mais. (!)


sexta-feira, 21 de março de 2014

Deleite.

Há quase três anos eu consigo escrever sobre o amor de uma maneira mais real. E todos os dias aprendo algo novo do Amor. Hoje aprendi algo que sempre senti e nunca consegui definir: o prazer. Não o prazer sexual, não é isso. Digo o prazer de ser de alguém, de estar com alguém, o deleite proporcionado por alguém. Eu me deleito na presença dEle. Sinto paz e alegria ao simples prazer de estar. Estar aqui como verbo intransitivo, o qual não precisa de complemento. Afinal, só estar já é estar nEle, porque nEle estão todas as coisas. 
Quero me deleitar em Ti, Senhor, todos os dias em que eu respirar.

 E depois também. 

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Carta n° 02 para Teddy.

Querido Teddy. 

Hoje, mais uma vez, desejei ter passado o dia com você. Fico imaginando como seria se fôssemos só nós dois, sem tempo nem espaço. Vai ver nem existiria o "ser nós dois", nem eu, nem você, nem ser. Mas não é aí que quero chegar. É que passou mais um dia, e amanhã é outro, e ainda sinto sua falta. Não parece ter sido tanto tempo que você foi embora, já que seu cheiro ainda está nas minhas coisas e ainda posso sentir suas mãos no meu cabelo, mas há bastante tempo sim. Bastante tempo que eu desejo, quero, almejo, anseio, use qual palavra quiser; há bastante tempo gostaria de ouvir sua respiração no meio da noite, quando o silêncio esmagador não me deixa dormir. 
Você já teve a sensação de felicidade tão plena a ponto de parecer a iminência de alguma coisa ruim? Quando a percussão da música te assusta, porque seu cérebro te faz pensar que o som da bateria é de algo ruim acontecendo fora dos fones de ouvido? Pois essa sensação me alcança frenquentemente. 
O tempo é algo precioso, mas sinto que mesmo que passassem milhares de anos, não seria tempo suficiente pra desfrutar de tudo o que somos juntos. 
Somos, mas você não está aqui agora... Então minha solidão ecoa na sua ausência. 

Espero que volte logo. 
Eu te amarei para sempre. 


O abraço mais apertado do mundo, 
Rosie. 

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Quebra-cabeça da ausência.

Sinto tantas saudades tuas. Não que tenha muito tempo que eu esteja com sua ausência, claro, mas ela também parece estar crescendo como bambu. Ouvi dizer que bambus crescem rápido e ficam enormes. Bem, sinto saudades do teu riso, da sua ousadia em me irritar com coisas tão sérias pra mim e tão banais pra nós; sinto falta do teu rosto roçando o meu, como se desenhasse com seu nariz nas minhas bochechas alguma obra de arte impressionista. Impressionista, não surrealista, nem tão realista, nem cubista ou dadaísta. Impressionista, porque me impressiona como o desenho me traz boas sensações e boas lembranças, ainda que invisível. Bem, sinto saudades de quando me olha de canto, e quando reage ofendido se te olho do mesmo jeito, rindo e dizendo "não me olhe de banda"! Saudades de como me conta as coisas engrandecendo-as, dramatizando-as e tratando delas como gostaria de ter tratado; igualmente aprecio teu rosto corado dizendo que gostaria que tivesse sido segundo o relato. Sinto falta do teu abraço apertado, da tua mão na minha enquanto andamos de moto em ruas retas e vazias. Sinto saudades do teu olhar surpreso e lábios pendentes em reação a certas palavras minhas. Ah, como sinto falta das tuas palavras, mesmo as silenciosas! Sinto falta de só estar contigo, me esquecer em você, abafar meus pensamentos que me incomodam quando você se vai. Penso em nós dois como peças de um quebra cabeça: nossas irregularidades são complementares - e assim é bem melhor. 

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

[sem título]

Se tudo o que eu pudesse fazer fosse dizer, falar, gritar, eu talvez nunca falasse de você. Não sendo falta de apreço, mas falta de vocabulário. As palavras, sejam poucas ou muitas, me limitam mais do que ampliam minha ideia. É tudo muito além do que dá pra descrever, e não importa quanto tempo passe, essa afirmação sempre soará clichê. Não é possível mensurar em palavras, em simples e complexas palavras, a sensação de cada toque, de cada cheiro, de cada olhar, de cada batida sem ritmo de nossos corações ansiosos. Ansiosos também não é a palavra certa: a aflição de esperar o tempo que passa e se arrasta é grande demais pra caber em oito letras quando juntam nós dois. Dois. Dois também não é a palavra mais adequada: somos três, por enquanto, ou cinco, se pensar melhor. Eu, você, Ele, Ele, Ele. Ou só eu, você e Ele. Acontece que não importa muito. Aliás, nada importa muito, porque o que se importa não é possível guardar em pobres palavras como a que temos. A agonia de esperar pra que nos tornemos um só... Não cabe em lugar nenhum. Não há palavra, suspiro, gesto ou pensamento que capte com nitidez o que se sente. Nas palavras do leigo, é vício. Nas palavras de quem já se cansa de tentar contar, é amor. Amor. A-M-O-R. Mas tudo isso não passa de meros ensaios de algo muito maior. Tudo é muito maior. Ou nós quem somos pequenos demais. 

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